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Realização Interior

Ante os desatinos que assolam a sociedade, levando a criatura a tormentosas inquietações, evocamos o conceito do eminente psicanalista Sigmund Freud, quando estabeleceu que os indivíduos vivem à busca do prazer, especialmente aquele que decorre do conúbio sexual, mas que a realidade lhe impõem limite à capacidade de satisfazê-lo, e que parece indispensável. Esses dois princípios – o do prazer e o da realidade – seriam, pois, fundamentais, para a interpretação da pessoa humana, auxiliando-a a compreender as próprias dificuldades quando na busca da sua realização.
            Por outro lado, o seu discípulo dissidente Alfredo Adler asseverou que a sociedade sofre de um pesado sentimento de inferioridade, e que, para realizar-se compensando esse complexo de inferioridade, procura alcançar o poder a qualquer preço. Ao atingir qualquer patamar de poder cara um se sente realizado, superando, portanto, o sentimento de inferioridade.
            Freud, portanto, dava ênfase à busca da realização externa, enquanto Adler valorizava a de natureza interna.
            Sem dúvida, há um grande desafio convidando o ser à auto-realização, que somente poderá ser conseguida mediante o descobrimento da sua realidade e dos seus valores, de forma que, ao identificar as próprias conquistas e deficiências, deverá trabalhar aquelas que lhe pesam perturbadoras no comportamento, a fim de melhor poder vence-las.
            Faz-se então, imprescindível, concomitantemente, a serena observação do mundo externo, para avaliar as aspirações que acalenta, o significado existencial em que se encontra, que lhe proporcionará, por conseqüência, alegria, prazer, felicidade, para sentir-se motivado a lutar, sem cuja conquista a existência não lhe terá significado.
            O indivíduo possui estrutura psicológica para suportar qualquer perda, menos a do sentido existencial, porque, sem o seu estímulo, desaparecem a razão de viver e as metas a alcançar.
            Todos devem anelar por conseguir objetivos mediante o conhecimento, o poder, a lucidez e outros diversos recursos, de modo a superar os impedimentos internos, afligentes, no caso qualquer que se apresente como decorrência do complexo de inferioridade. Diante dos limites impostos pela realidade, porém, que considera a exaltação perturbadora da posse como secundária para a vida, encontrar-se-á o auxílio interior para o enfrentamento das necessidades reais.
            É comum àquele que padece do conflito de inferioridade acreditar que a festa bulhenta que tanto atrai os extrovertidos constituir-lhes-á a forma de felicidade que almeja conseguir. Nada obstante, os introvertidos vêem nessas festas ruidosas nada mais que tormentos e dificuldades para a sua necessidade de interiorização.

            Somente uma postura de equilibrado discernimento entre as fantasias externas e barulhentas e as fugas interiores sem sentido pelo receio de enfrentar a realidade é que poderá dar-lhe a dimensão do que é fundamental ou não para a alegria de viver.

Joanna de Angelis  

FRANCO, Divaldo P. Triunfo Pessoal. Pelo Espírito Joanna de Angelis. 2ª. ed. Salvador, BA: LEAL, 2002, capítulo 4. Realização Interior (Parte).

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