Crônica na rede
Sobre o Ano que se Inicia
Na visão pessimista de alguns, todo ano que se inicia vem cercado de um misticismo que evoca grandes mudanças, catástrofes, castigos e, principalmente, lendas herdadas do milenar imaginário humano.
Por que não encaramos o novo ano com a coragem e a fé que o Cristo nos ensinou? Por que aplicarmos o tempo em tolices que não suportam o mais leve crivo da razão?
Vamos esperar, no ano novo, que possamos melhorar a nossa perspectiva de vida, quem sabe trabalharmos melhor a capacidade de perdoar, principalmente se tivermos dificuldades nisso...
Que tal relermos as Bem Aventuranças, o grande código cristão que se encaixa em qualquer postulado religioso?
Será que a bondade divina nos dará a oportunidade de caminharmos com os pobres em espírito, admirarmos os mansos, auxiliarmos os aflitos, entendermos os que têm fome e sede de justiça, recebermos os misericordiosos, aprendermos com os puros de coração, colaborarmos com os que promovem a paz, ou ainda, acolhermos os que são perseguidos ou injuriados por causa do Mestre?
É possível que consigamos, num esforço maior, entender o modelo do homem de bem que Kardec nos ensinou?
Sobretudo, deveremos estar atentos para a visita que o Cristo Consolador possa nos fazer. É provável que Ele nos pergunte como temos nos portado ante a injúria e a violência, como temos enfrentado o orgulho e em que pé está o nosso conceito de humildade.
Poderemos olhar para dentro de nós e analisarmos como anda a nossa tolerância, será que temos preferido o silêncio, como nos recomendam os amigos espirituais, ante o ataque maldoso e a ingratidão? E se, por escolha, o Cristo nos quiser como trabalhadores da última hora? Precisamos estar em condições de atendê-Lo.
Temos tanto em que pensar, mas o ano tem 365 dias, poderemos perfeitamente distribuir nossa intenção de praticarmos o bem, fazer aquela visita ao doente carente, acolhermos com fraternidade o amigo ansioso ou parente em desespero...
A prática da prece deve ser intensificada, porque esse é o melhor caminho para falarmos com Deus e renovarmos as nossas forças. A prece nos ajuda em tudo, ela se aplica em qualquer circunstância e nos torna melhores, ela nos orienta, acalma, sensibiliza, cura, traz a reflexão, abre a consciência e valoriza o que de melhor temos em nós; é ela que nos torna solidários e amigos, faz com que sejamos verdadeiros porque estamos conversando com Aquele que pode nos enxergar por inteiro.
No novo ano, nossa fé será um baluarte para crescermos na esperança, para cultivarmos o amor e termos a predisposição ao perdão, senão, como esperarmos que o Pai de misericórdia nos conceda essas graças?
É muita expectativa, sem dúvida, mas essa é a nossa proeza! Como pensarmos em vitória, sem um árduo treinamento? Sem nos superarmos em cada etapa de nossa vida?
Devemos ter a certeza de que tudo isso é possível, porque, só em pensarmos na possibilidade de começarmos, de continuarmos, de elaborarmos todas essas intenções em nossas mentes, somos inundados por um sentimento de paz, como se Jesus nos enviasse uma resposta imediata, informando que somos bem-vindos em sua seara de trabalhadores.
Assaruhy Franco de Moraes
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