Crônica na rede

Sobre Eutanásia e Sofrimento

O noticiário está dando grande destaque para o assunto, com depoimentos, arrazoados, prós e contras, direitos, leis e falsas certezas...

Nesse momento, várias coisas me chegam à cabeça, mas ressalto a lembrança de um trecho da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, em 10:23, onde ele diz: “ Todas as coisas me são licitas, mas nem todas convêm; todas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam...”

Fico a imaginar que estranha alquimia atua sobre a consciência das pessoas, de modo que as faça se sentirem árbitros do que é caridade, do que é dor e principalmente, quais são os méritos para se definir quem deve ou não viver e em que circunstâncias.

É tal a pretensão dos que acreditam praticar a caridade ao pedirem a morte de um sofredor, que fica em mim a preocupação de que eles possam vir a se transformar em piedosos genocidas a eliminarem as legiões de desvalidos famintos, pessoas com doenças congênitas, loucos e tantos outros portadores de qualquer sintoma, social ou biológico, que fuja aos padrões “normais”.

Um conhecido defensor da Eutanásia perguntou-me se eu era a favor do sofrimento, se era agradável ver uma pessoa definhando, urrando de dor, transformando-se em um vegetal e arrastando a família em um torvelinho de estafas, angústias e desencantos. Tive que pensar bem para responder, pois a colocação feita não me deixava opção: ou seria um monstro ou um “piedoso”.

Meu raciocínio na resposta seguiu meus padrões ético-religiosos.

É claro que o sofrimento é uma provação muito difícil, terrível para quem sofre e para quem assiste, mas é preciso que dignifiquemos algumas conquistas que as religiões trouxeram ao longo da história e vejam bem que não estou fazendo referência exclusiva ao Cristianismo.

Todas as grandes correntes religiosas mostram a importância da vida, exaltando a graça que o Ser Supremo oferece, sobretudo, indicando que só Ele pode dispor de um bem que Ele concede e, se nessa concessão existe um processo doloroso de aprendizado, ele pode não ser bonito, mas é necessário.

Assim como se discute a eutanásia, também se discute o aborto, o suicídio, que são variações sobre um mesmo tema: A importância da Vida.

Parece até que esses crimes variam de aplicação, mas no fundo, mostram a incoerência humana em tratar as coisas que incomodam, que desestabilizam e levam a uma realidade do que queremos e não do que vemos.

A eutanásia resolve o problema da família, dos amigos e de tantos quantos gravitam em torno do enorme trabalho que um doente provoca; o suicídio resolve o conflito interior que flui dentro das mentes perturbadas pelo remorso, pela covardia ou pela ignorância; o aborto então, o grande crime pela conveniência, resolve a situação social de uma gravidez não desejada, resolve o problema econômico de quem não pode mais criar um filho e por aí vai... Da mesma forma são explicadas as guerras, a usura, o egoísmo.

Todas as distorções de um planeta de expiações e provas sempre encontram explicação na lógica do comodismo, na confissão dos que admitem não saberem amar porque o amor “enfraquece o espírito”.

Jesus, nosso modelo maior, pelo relato de Mateus no Cap. IX, 10 - 12 disse que “não são os que gozam de saúde que precisam de médico” ... A esse respeito Allan Kardec, exercendo seu magistério, nos ensina que as palavras de Jesus encerram profunda sabedoria e por elas, ficamos sabendo que de pouco ou nada vai adiantar tentarmos fazer ver a importância da vida, em qualquer de suas dimensões, para aqueles que a enxergam em nível humano, sem a continuidade que ela tem. Melhor que concentremos nossos esforços em orações sinceras por eles e por aqueles que eles julgam estar se beneficiando de suas decisões deploráveis.

Dia virá em que as múltiplas experiências seculares mostrarão uma realidade não envolvida em impactos emocionais, indicando que o livre-arbítrio tem um mecanismo que permite tomarmos as decisões que acharmos mais adequadas, mas... também nos cobra responsabilidades, se essas decisões não forem coerentes com a realidade eterna.

No centro de todas essas demanda está a americana Terri Schiavo. Ela, sem dúvida, faz parte do processo que Deus aciona para trazer a humanidade de volta à ética maior, que é a Sua Lei.

Ela não será lembrada pela doença que a vitimou, mas sim, por ter sido o instrumento para que valores viessem a ser discutidos e, principalmente, porque sua agonia não foi objeto de desânimo para os que a defenderam, e sim, de esperança por um mundo melhor.

Assaruhy Franco de Moraes   

PARA TODOS !!!

DIGA NÃO À EUTANÁSIA,
AO SUICÍDIO E AO ABORTO.


voltar ao topo   


Centro Espírita Bezerra de Menezes © 1912 - 2004. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Rafael Santos