Crônica na rede
Sobre a Impermanência
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei” - Frase escrita no túmulo de Allan Kardec
Impermanência é o termo que utilizamos para lembrar que na vida nada é permanente, fixo ou imutável.
Deus nos mostra essa realidade em nosso dia-a-dia, diante da dinâmica da vida, da mutabilidade das estações do ano, do envelhecer, do nascer, do mecanismo da reencarnação, da evolução do espírito e das idéias.
No cancioneiro popular, temos a letra de uma canção que diz “nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará” (Lulu Santos). Os dizeres dessa musica, mostram que o dinamismo da vida define um processo que, no final, fertiliza essa mesma vida, alavancando novas perspectivas...
Se repararmos o movimento das ondas do mar, por exemplo, poderemos ter a impressão de que é sempre a mesma coisa. Não é. O movimento é repetitivo, mas a água não é, ela já refluiu, faz parte de outras ondas, foi absorvida pela areia, enfim, seguiu novos caminhos.
A vida é um fluxo ascensional onde nada, nem ninguém, conseguem ficar parado, ainda que tenha apego às coisas materiais, até porque não nos é dada a discricionariedade de determos a nossa própria evolução.
Essa mensagem que ficou gravada no dólmen de Kardec é emblemática na medida em que nos lembra que a lei divina exerce sobre nós um império de luz progressista e nos leva ao encontro dos verdadeiros valores, aqueles que nem a ferrugem nem as traças consomem.
Esses processos contínuos, que não se acomodam, são a essência da impermanência, que assim se torna uma lei universal, como são as leis morais, a lei de causa e efeito, a lei do progresso, num processo de interação voltado para a elevação espiritual do homem.
Nascer e renascer não deve ser entendido apenas como um processo físico, mas sim, como um processo complexo de criação e recriação, que trabalha o pensamento, a vontade, o arbítrio, transformando-se em um atributo do espírito e também da consciência, agregando valores oriundos do aprendizado.
Deus, entre tantas e tantas graças e oportunidades que nos oferece, estabeleceu a impermanência para que, com sua dinâmica, pudéssemos perceber que o apego a alguma coisa material, por si só, é uma ilusão... Nada nos pertence para sempre, a não ser a centelha divina com que somos criados.
É por esse motivo que o Mestre Jesus nos ensinou que somos deuses, apesar de tudo, Ele nos vê como seres especiais, com a capacidade latente de amar, de perdoar, de progredir, de raciocinar e de escolher.
Como conseqüência dessa impermanência, podemos ser os senhores do nosso destino, com responsabilidade e o conhecimento de que só os nossos atos é que devem nos direcionar. Entender isso é fundamental para atingirmos a maturidade espiritual em nosso orbe.
Um filosofo chinês, que viveu no século IV a.C, chamado Chuang-Tsu, disse que “quanto mais um homem vive, mais estúpido ele se torna, porque sua ansiedade para evitar a morte inevitável torna-se mais e mais aguda. Que amargura! Ele vive por aquilo que está sempre fora do seu alcance! Sua sede de sobreviver no futuro faz com que seja incapaz de viver no presente.”
O ensino que a doutrina espírita nos oferece é exatamente para que, ao entendermos a impermanência, também atinjamos a compreensão de que a vida, os bens e os valores materiais são transitórios e nenhum apego merecem São instrumentos de aprendizado e passam.
Se assim não for, estaremos sempre nos preparando, para chegarmos despreparados em uma outra vida... Tal é a lei.
Assaruhy Franco de Moraes
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