Crônica na rede
“– Então disse Jesus à figueira: Que ninguém coma
de ti fruto algum...”
Marcos, 11:4
Uma proposta constante que o Cristo nos faz é para que exerçamos e trabalhemos a nossa fé, dando-lhe a dimensão justa de um sentimento elevado, construído na obra do bem, produto da esperança.
Não aquela confusa sensação que o espírito protetor José, no capítulo XIX do Evangelho Segundo o Espiritismo, chama de “fé sem comprovação, cega filha da cegueira...”
A força mística da parábola da figueira que secou reside exatamente na lição que Jesus ofereceu ao mostrar que não era Ele que secava a figueira, a árvore é que ruía ante o impacto de sua inutilidade.
Aí está o caráter místico: em natureza, tudo tem seu papel e sua razão, todas as coisas refletem Deus e Sua vontade, se assim não fosse, melhor seria que definhassem na seqüência do seu ciclo vital, dando lugar aos que quisessem produzir.
É de se considerar que aquela figueira em Betânia não estava ali por acaso, forças naturais agiram para que sua semente original germinasse, a água veio dar a medida certa de nutrição para que crescesse, seus brotos sobreviveram ao apetite dos pássaros e às passadas inconseqüentes dos transeuntes; o Sol a fortificou com o vigor dos seus raios e, finalmente, quando dela se esperava a resposta por todo o esforço realizado, ela nada tinha a oferecer... Viçosa, não tinha frutos, frondosa, não tinha vida...
Assim como a missão da figueira era frutificar e, através dos seus frutos, alimentar e dar continuidade à sua espécie através das sementes, também o homem é produto do trabalho dos enviados do Pai, que se esforçam para que ele atinja a sua maturidade e frutifique, espalhando as suas realizações e justificando a sua passagem pela vida material.
Quantos companheiros de jornada se apresentam sob o brilho da cultura, refletem uma inteligência e um discurso sem comparação, mas não constroem o edifício da fé interior, preferindo o elogio fácil a fornecerem o alimento espiritual a tantos que poderiam beneficiar-se de suas qualidades...
Agarram-se eles ao mundanismo, quando poderiam cultivar o espírito e ajudar na modelagem de tantas personalidades que precisam de apoio para se firmarem e construírem seus caminhos.
São irmãos que se esquecem dos compromissos assumidos, e usam seu verbo para defender crimes contra a natureza, enaltecer a violência das guerras ou justificar o massacre através do aborto!
Inteligências exuberantes que, infelizmente, não resistirão à passagem do Cristo, tal como a figueira, e perderão a oportunidade de oferecer o melhor de si ao Mestre de Nazaré, só lhes restando continuar à beira do caminho, renovando-se na luta e esperar a próxima passagem do Cristo, quando, talvez, com seus conceitos melhorados, suas lições redefinidas e o verbo pleno de fé, possam então atender ao pedido do Mestre, oferecendo o que de melhor puderem construir com amor e fé, florescendo e frutificando com a Vida.
Assaruhy Franco de Moraes
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