Crônica na rede
Comentários sobre a Eutanásia
“Eu não darei qualquer droga fatal a uma pessoa,
se me for solicitado, nem sugerirei o uso de qualquer uma desse tipo.”
Juramento de Hipócrates
O sexto mandamento, recebido por Moisés, prescreve: não matarás (Dt 5,17).
Não consta qualquer exceção que justifique uma desculpa para se tirar a vida de alguém, o mandamento é de uma espantosa simplicidade e objetividade.
Inicio meus comentários deste mês, voltando ao assunto da eutanásia, considerando nota que foi publicada nas páginas do informativo “FolhaOnline”, sobre notícia da “Folha de São Paulo”.
Entende-se a eutanásia quando uma pessoa causa deliberadamente a morte de outra que está mais fraca, debilitada ou em sofrimento. Procura-se justificá-la, sob a alegação de que vai terminar o sofrimento resultante de uma doença dolorosa, diante de um quadro irreversível, de morte.
Todas as pessoas, quer apóiem ou não a eutanásia, desejam uma morte digna para si e seus entes queridos, mas, diante disso, começam a surgir as dúvidas e as questões...
O que podemos chamar de “morte digna?” Que linha ética deve ser tomada para se concluir por qual caminho devemos seguir?
Hipócrates foi a base de toda a ética médica seguida até hoje, a frase que encima nossa crônica é dele, no entanto, segundo a notícia da FolhaOnline, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo – CREMESP – está propondo uma resolução (não tem força de lei, que é atributo do Poder Legislativo) que “considera ético limitar ou suspender procedimentos que prolonguem a vida do doente incurável em fase terminal”. O Cremesp coloca algumas regras para que tal aconteça, mas o fulcro da questão está em abreviar a vida humana e criar uma nova “ética”, que derruba o milenar bom senso do pai da medicina. Depois desta, virão outras resoluções, cada vez mais tolerantes com a redução da vida, até que estejamos frente a frente com a rotina de se eliminar os sofredores, abortar os indesejáveis, tudo dentro de uma ilusória pratica materialista que despreza as posturas divinas.
Juristas são unânimes em informar que essa resolução fere a legislação penal, não tem respaldo constitucional, mas é um documento que procura aliviar a consciência dos médicos e parentes do paciente, que ficam na dúvida entre o crime e a piedade.
Entendo que a pratica da eutanásia, antes de trazer a tal morte digna , faz com que as pessoas percam o seu enfoque em Deus e ignorem o fato de que a sua ética é mesquinha e egoísta, pois procura encobrir o mais importante dos códigos morais, que é a Lei Divina.
Brian Clowes, um teólogo americano, diz com muita propriedade, que “a compaixão verdadeira exige que todos nós nos amemos e apoiemos uns aos outros, independente da nossa capacidade ou aparência e preparemos os que estão morrendo para o seu próximo encontro com Deus. Esta é a verdadeira definição de viver com dignidade, até no momento de morrer”.
E o que não dizer da ótica espírita? O magistério kardequiano nos diz que somos imortais e que a morte do corpo é apenas um fato de passagem, episódico, dentro da esteira infinita do nosso desenvolvimento e da nossa felicidade. A ética contida no Espiritismo nos oferece o amor como propulsor da dignidade e sem ele, não haverá nada que se justifique.
Quando ouço dizer que os que sofrem têm o direito de morrer com dignidade, respondo que não existe o direito de morrer com dignidade , nem na lei dos homens, nem na de Deus, o que existe é viver com dignidade e com isso, preparamos o próximo passo, em uma nova experiência carnal, produzindo, construindo, sendo solidários diante do sofrimento e não homicidas a serviço da hipocrisia.
Tantas e tantas vezes vemos que o medo, o conformismo, o comodismo é que servem de máscara para as tais “mortes piedosas”, onde parentes ocupados nas lidas da vida, sentem-se desconfortáveis nas atenções aos doentes terminais, ou mesmo médicos que no seu pragmatismo, não vêem motivos para se manter uma vida artificialmente.
Quanto pouco se conhece da vida e sua dimensão, que arrogância é essa que traveste seres humanos em deuses, e cria silogismos dialéticos que justificam abreviar vidas e aplacar consciências?...
Ainda Brian Clowes nos diz que o direito de morrer não é um direito, pelo contrário, é a privação de todos os direitos possíveis, por extensão, os Conselhos Médicos e outros que são defensores da eutanásia, deveriam também criar resoluções que condenem à morte os portadores de síndrome de down, os mentalmente doentes, os aleijados, os entrevados em uma imobilidade irreversível... Alguém pode dizer que alguns deles não sofrem, pode ser, mas sem dúvida fazem sofrer e, tenho uma convicção íntima de que os favoráveis à morte provocada diante do sofrimento o fazem mais por si mesmos que pelos sofredores...
Vou buscar na Questão 953 de “O Livro dos Espíritos”, na pergunta que Allan Kardec faz aos espíritos, uma resposta que preenche qualquer duvida sobre a ética espírita.
Kardec pergunta: - Quando uma pessoa vê diante de si um fim inevitável e horrível, será culpada se abreviar de alguns instantes os seus sofrimentos, apressando voluntariamente a sua morte? Resposta.: É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus lhe marcou para a existência. E quem poderá estar certo de que, malgrado as aparências, esse termo tenha chegado; de que um socorro inesperado não venha no último momento?
A resposta é mais direta para quem abrevia a própria vida, mas seu sentido é também objetivo para os que decidem pelos outros.
O Espiritismo nos ensina a lógica irretorquível do Livre Arbítrio, a essa lógica nos submetemos diariamente e à sua luz, podemos dizer que não se sentir responsável, não exime ninguém da responsabilidade.
Assaruhy Franco de Moraes
O CREMESP está realizando uma consulta pública sobre a Resolução que torna ética a eutanásia, em casos específicos, e quer saber a opinião sobre a oportunidade dessa decisão. O PRAZO PARA A SOCIEDADE OPINAR VAI ATÉ O DIA 15 DE JULHO DE 2005.
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo
Conselheiro Reynaldo Ayres de Oliveira
Comissão de Pesquisa em Ética Médica
Rua da Consolação 753
01301-910, São Paulo – S.P
Tel. (11) 3017-9300
Fax (11) 3231-1743.
http://www.cremesp.org.br/legislação/consultaspublicas
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DIGA NÃO !!! À EUTANÁSIA, À PENA DE MORTE, AO ABORTO, AO SUICÍDIO
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