Crônica na rede

As Guerras de Todos Nós

Conta-se que em uma galáxia distante, numa civilização de elevada espiritualidade, uma criança, lendo histórias que se reportavam a épocas imemoriais, encontrou a palavra guerra.
Curiosa, perguntou a seu mestre o que queria dizer aquilo... O professor olhou com muita calma para o livro e respondeu:
– Guerra, meu filho, é a ausência de luz.
Retrocedendo no espaço-tempo, vamos ver que a definição aplica-se com muita propriedade, ao ambiente em que vivemos.
Nossa civilização tem, na ausência de luz, uma de suas maiores carências.
Quando houve aquela tragédia das tsunamis, o total da ajuda humanitária enviada para socorro das vítimas, foi equivalente aos gastos de dois dias com a guerra do Iraque...
Na tragédia, o dinheiro saciou a fome; na guerra, saciou a vaidade, o orgulho e a insensatez.
As tsunamis foram uma mensagem eloqüente, de que ninguém tem a força e o poder, a natureza se mostrou mais precisa e direta; no entanto, os homens não passaram além da percepção de um fenômeno natural. E assim é, sempre, ao longo da atribulada história deste planeta.
Guerreia-se por tudo.
Desde os confins da história bíblica, onde se impunha a espada de Jeová, passando pelo orgulho dos egípcios refletindo-se na arrogância grega e na prepotência expansionista de Roma, atrelada à sua poderosa águia, que voando, mostrou às hordas de Gengis Khan, o caminho para a Europa, que estava coletivamente comprometida com o sangue das cruzadas.
Séculos depois, a águia expansionista pousou no império onde o Sol nunca se punha e nas Ilhas Britânicas, experimentou sangrento conflito com outra águia, que pretendia um Reich de mil anos.
Hoje temos a águia americana, herdeira inconfundível de Roma, guerreira, persistentemente refratária à luz, em infindáveis contendas com novas levas de Espíritos migrantes, chegados à nossa Terra para continuarem seu aprendizado pelo sofrimento e imersos no ódio que os transportou para cá.
Somos perplexos passageiros de um planeta que procura seus caminhos, imerso em seus milenares problemas, procurando a paz, o silêncio e a luz.
O homem ainda pensa como Darwin, que achava que o comportamento moral, não trazia qualquer vantagem para o ser humano, ele lucraria mais desobedecendo às regras, para agir por sua vontade... E a vontade sem moral, costuma privilegiar as trevas.
Muitos materialistas abraçam a teoria de que a nossa violência está relacionada com a nossa genética, a mim, me parece inevitável rejeitar essa noção, se assim fosse, estaríamos condenados a não evoluir moralmente, já que ficaríamos presos a um determinismo biológico perverso, um confronto entre a repetição infinita de genes do mal e a razão, que construímos através do aprendizado sofrido.
Toda essa violência urbana que assistimos e as pertinazes guerras que nos assolam, um dia, existirão apenas nas crônicas empoeiradas, acessadas por meninos curiosos, que não irão entender um mundo ancestral, onde não havia luz...
É nisso que firmemente acredito.


Assaruhy Franco de Moraes
  


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