Crônica na rede

A Missão Pedagógica do Espiritismo

“A missão pedagógica do espírita, porém, não se dá apenas
no plano moral. Em todos os setores de atividade,
os espíritas devem também se esforçar pelo avanço intelectual
de si mesmos e da comunidade a que pertencem”.
Dora Incontri
(A Educação Segundo o Espiritismo)

O Espírito de Verdade, no Capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na parte 5 , que trata das Instruções dos Espíritos, enfatiza para todos nós: “– Espíritas ! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”

A Doutrina Espírita, opondo-se aos critérios salvacionistas de outras confissões religiosas, entende que a redenção do homem, face ao seu destino de encontrar-se com o Pai, é fruto de um processo contínuo de aperfeiçoamento espiritual que está diretamente ligado ao aprendizado através da reencarnação.

A vida eterna é a grande escola onde cada um de nós está estudando, praticando, aprendendo às custas de enormes sacrifícios - mas também de gratificantes verdades - os valores morais necessários para o prometido encontro com o Pai.

Progredir é educar-se, assim como, é educar o semelhante, seguindo a paternal advertência do Espírito de Verdade. Nesse sentido, a pedagoga Dora Incontri defende a idéia de que a essência do Espiritismo é a educação, direcionando o desenvolvimento do Espírito pela sucessão reencarnatória, qual se dá em uma escola, com seus anos letivos.

Em nosso orbe, as almas se aperfeiçoam, passam por provas, credenciam-se para novas experiências e sempre aprendendo, crescendo segundo a pedagogia inigualável do Mestre Jesus.

A indiscutível planificação que os Espíritos Superiores fazem para nosso planeta, é claramente demonstrada quando vemos, na história do conhecimento humano, a sucessão de nomes como Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Kardec, cada um a seu tempo, contribuindo e enriquecendo as técnicas de aprendizado, inovando com o ineditismo de suas conquistas espirituais, numa preparação para que as gerações futuras pudessem usufruir das facilidades de se organizar o pensamento e melhor aprender.

Assim como Jesus consolidou seu ministério, através da mística simplicidade das parábolas, Kardec cercou-se de todos os cuidados para que o conhecimento científico, filosófico e as práticas religiosas fundamentais do Cristianismo convergissem para um processo onde o Espírito recebesse as melhores condições de se aperfeiçoar pelo aprendizado consciente.

Sabiamente, o Espírito de Verdade hierarquiza os procedimentos em sua advertência aos espíritas, quando diz que antes do instruir-se, todos devem amar, porque sem a participação básica do sentimento a nos preparar a alma, é muito difícil a assimilação dos requisitos básicos do nosso progresso. Podemos aprender os valores positivos do perdão, mas como aplicá-los, se não tivermos burilado esse procedimento com a força do amor?

É fundamental que os espíritas detenham-se na reflexão sobre o educar-se. O processo é muito mais amplo do que se possa imaginar. Estamos falando no sentido doutrinário, mas a pedagogia espírita, sem as mazelas do proselitismo, para as quais fomos advertidos por Kardec, é perfeitamente aplicável para a formação de uma nova cidadania, uma sociedade mais justa, menos agressiva e seletiva, mais ética e feliz, que abrigue um homem novo, na próxima experiência do Mundo de Regeneração que a todos espera.

A Pedagogia Espírita nos traz a visão de um homem único em sua época, e hoje, mais do que nunca, precisamos decodificar a mensagem incisiva e definitiva sobre os recursos que temos à disposição, acenados por ele quando codificou a Terceira Revelação...

Não podemos perder de vista a importância da educação, sua prioridade e seu poder de transformação, e também, não nos distanciarmos daquilo que ficou eternizado na advertência de Paulo em I Coríntios – 13 : “ Ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que eu tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.”

Assaruhy Franco de Moraes   


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