Crônica na rede
A Magnitude do Perdão
“ ...Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?
Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”
Jesus (Mateus, 18: 21 e 22)
Recentemente, o noticiário da televisão mostrou triste situação, onde um homem ficou preso, sem culpa, por conta de ilícitos cometidos por seu irmão, que estava encarcerado em face de outros delitos realizados e que usava seus documentos, como se fora ele.
O desespero da vítima era evidente, não só pela vergonha ante a comunidade rural onde vivia, como também pela exposição de sua família a uma situação fora de controle.
O homem sentia saudades dos filhos, da esposa e não compreendia exatamente o que estava acontecendo, apenas afirmava, enfaticamente, a sua inocência. Era um simples lavrador, honesto e trabalhador.
Parecia simples, mas não era, pois isso gerou grandes transtornos e perdas irrecuperáveis para o chefe de família.
Uma vez tudo esclarecido, a vítima foi colocada em liberdade, saindo muito emocionado da cadeia, agradecendo a Deus, ainda sob o trauma dos dias que ali havia passado.
Só quem conhece o modo de vida do interior, a personalidade do homem interiorano, pode avaliar o que deve ter sido passar um tempo na cadeia, sem culpa. É, muitas vezes, um dano que destrói a auto-estima da pessoa, para sempre.
Ao ser entrevistado, saindo da prisão, o lavrador respondeu, sem titubear, que perdoava incondicionalmente o irmão que lhe havia feito aquele mal. Em sua lógica pura e elevada, disse que o outro tinha o mesmo sangue que ele e isso era muito forte. Foi só.
Seu reencontro com a esposa e os filhos foi muito bonito, mas, para mim, ficou uma profunda emoção com aquele perdão. Que lição memorável !
Enquanto vemos um mundo perdido entre guerras fratricidas, interpretações equivocadas das palavras divinas, enquanto vemos o Cristo sendo repetidas vezes crucificado ante a avalanche de ódios, orgulhos, vaidades, desencontros... vemos um homem simplesmente dizer que perdoa aquele que o feriu, que o tirou do convívio familiar, que o levou ao martírio das prisões.
Não é retórica, quando Kardec nos ensina que a família é o núcleo da regeneração. É ali, através dos laços consangüíneos, que o homem aprende a entender os eternos laços do espírito, crescendo e afirmando-se ante a força poderosa do perdão.
Como fiquei comovido com o gesto, podemos dizer, corajoso, daquele irmão que, com personalidade, não teve dúvida quanto a dar uma resposta ao repórter.
Naquele momento, passou por mim a saga da humanidade, a história de tantas lutas, tantos mártires, tantas lições e, como um bálsamo, lembrei-me de Mateus e o trecho onde Jesus, eterniza em sua resposta a Pedro, a importância e a magnitude do perdão.
Obrigado, caro irmão, pela emoção e a lição. Pelo seu exemplo, vê-se que vale a pena continuar, pois muito mais do que receber o legado de Jesus, é praticá-lo.
Assaruhy Franco de Moraes
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