Crônica na rede

Reconcilia-te depressa com o teu adversário

As breves palavras que se seguem foram sugeridas por um comentário que chegou até nós quando se apreciavam numerosos casos de reencarnação no mesmo grupo familiar de espíritos ainda envolvidos em ásperas disputas, ressurgindo na carne na qualidade de irmãos ou pais e filhos.

É de ver-se que poderá existir aquele disposto a ponderar: "Por que ao invés de aproximar duas criaturas em litígio, a Lei não opera de modo inverso, afastando-as até ao ponto de fazê-las esquecer ou, pelo menos, até surgir o arrefecimento de suas desavenças?

Nesse caso vem de imediato a pergunta - Terá então o Criador falhado neste estatuto da Criação? Será, talvez, por uma falta de sentido prático, no afã de tudo ter justo e arrumado, Ele, o Criador Onisciente, o Todo Sábio, haveria de cometer esse engano, ao passo que nós na nossa miserável pequenez estaríamos prontos e a altura de corrigi-lo em sua Obra? Tal ordem de idéias se avizinha da total indigência. E não precisamos ir longe nas nossas ilações para desde já encontrarmos resposta a questão tão extemporânea. Vamos a ela: - com o afastamento dos envolvidos na querela, como faze-los empreender o exercício da tolerância? Mais, como faze-los aprender a prática do perdão sem pô-lo em prática, sem a ação viva de perdoar? Seria suficiente para a fixação da lição tanto da tolerância quanto do perdão apenas o seu conhecimento teórico? Por outro lado, que aconteceria com o afastamento dos adversários? Chegaríamos a uma posição de cada um habitar o seu mundo exclusivo, sem desavenças, é certo, contudo sem mais alguém se não nós mesmos. Totalmente desabilitados para a vida em comum, pela falta mesma do exercício de viver em comum, é de pensar como a Criação resultaria no oposto do que é: o isolamento da criatura em lugar da união de todos os seres. O que é o mesmo que dizer: chegamos à negação da Criação .

Reconheçamos a perfeição da obra do Criador e, antes de colocarmos algum tipo de tola restrição à sua justeza e grandeza, busquemos de nós mesmos as respostas e os esclarecimentos que sempre hão de vir considerando, sobretudo, que estaremos auxiliados em nossos propósitos - quando nobres - pela inspiração de amigos esclarecidos.

Em razão disso, sempre que nos defrontarmos com algum ponto que não tenha se encaixado bem no nosso entendimento indispensável será a perquirição, o trabalho de buscar resposta às dúvidas, a meditação. Lembremos da oportunidade da fala do mestre Allan Kardec quando nos deu notícia da necessidade da fé raciocinada.

Marco Aurelio Assis   


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