Crônica na rede
O Caminhante de Damasco
" Vai ! Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel".
Atos, 9:15
As palavras de Jesus a Ananias, pedindo que ele fosse despertar Saulo do seu torpor, após a visão no caminho de Damasco, mostram com muita propriedade que, embora o Apóstolo dos Gentios tivesse uma atitude contrária aos cristãos, era ele o escolhido para um importante trabalho: A divulgação da Boa Nova.
Era preciso que o vigor, o argumento, a seriedade do Tribuno Judeu, ao se prestarem para a causa cristã, despertassem no povo a reflexão de que se ele, ardoroso inimigo, era agora inquestionável seguidor, então é porque as suas palavras refletiam a verdade.
O objetivo, segundo as palavras de Jesus, era os que tinham os seus corações preparados para a semeadura e, sem reservas, poderiam ouvir os ensinos do Cristo com maior propriedade.
Três grandes viagens Paulo realizou. Três grandes roteiros de fé e confiança e pode-se imaginar o que isso representou em esforço e heroísmo, numa época em que as viagens à pé eram comuns e podiam durar meses.
A cada ciclo de viagens que se completava, Paulo costumava enviar cartas aos núcleos cristãos que fundara, procurando não só manter sua palavra viva, como exaltar os fiéis a não se esquecerem das palavras do Mestre.
Foram treze epístolas, o grande alicerce cristão, verdadeiros guias de manutenção e proteção da palavra de Jesus. Quantas mãos transportaram a palavra escrita do Apóstolo, para que tantos corações pudessem se harmonizar e tantos rumos serem corrigidos?
A palavra de fé e esperança sempre foi o desafio daqueles que abraçam os ideais de Jesus, divulgar o exemplo cristão, antes de ser um atributo solitário desta ou aquela pessoa, é um elo de harmonia com o Todo Universal, uma necessidade de partilhar a alegria mística com todos, formando uma cadeia racional de luz.
Não deve ter sido outra a sensação de Paulo, e nada diferente foi a sua necessidade de mostrar a verdadeira face do Pai.
A vontade divina foi concedendo bênçãos e fazendo com que as promessas de Jesus fossem sendo cumpridas, assim, um dos mais importantes compromissos do Mestre, o Consolador, corporificou-se no advento do Espiritismo.
Kardec codificou a mensagem e, a todos aqueles a quem ela atingiu pela razão, cabe a responsabilidade de divulgá-la, porque nela se encontra a harmonia de Jesus e as explicações para que todos possam entender o processo de crescimento interior.
Os recursos que a tecnologia nos oferece, devem pois, servir para que, fraternalmente, possamos divulgar os princípios que abraçamos, na esperança de que muitos possam se beneficiar da alegria interior que Jesus implantou em nossos corações.
As distâncias que Paulo percorreu em anos de lutas e sacrifícios, são hoje percorridas em poucas horas...Os textos de suas epístolas levaram meses para serem lidos por seus destinatários, no entanto agora, podemos exibir nossas mensagens na tela de um computador e, imediatamente, centenas de internautas podem lê-las, interpretá-las e serem motivados.
O mesmo ardor e a mesma fé que motivaram Paulo, estão a se refletir em nossas ações, e se ele, com todas as perseguições, obstáculos e dificuldades naturais, conseguiu ajudar na divulgação da mensagem que mudou o pensamento humano, não só nos limites cronológicos do seu tempo, mas através da história do cristianismo, o que não poderemos nós, se tivermos uma partícula do grão de mostarda, em fé, aliada aos "interrecursos" que Deus nos permitiu dispor?
Não queremos nos comparar a Paulo, mas podemos nos sentir imbuídos da mesma força transformadora que o levou pelos caminhos do mundo.
Este é o propósito do Centro Espírita Bezerra de Menezes ao colocar seu site entre aqueles que divulgam o Espiritismo, queremos divulgar o amor, a fraternidade e a alegria pela vida, que é eterna.
Humildemente nos colocamos na esteira do Caminhante de Damasco, seguindo o seu exemplo e convidando para o encontro com a Grande Luz.
Assaruhy Franco de Moraes
|