Crônica na rede
Ciência e Religião
Nos anos recentes têm proliferado as publicações que tratam da questão ciência e religião, com uma profusão de artigos, ensaios, livros, no enfoque particular daqueles que os produzem.
Jesus, em particular, tem sido objeto de inúmeras pesquisas, assim como a Bíblia, com o objetivo de se informar e lançar o debate em torno de temas que, apesar de um mundo tão contraditório em seus propósitos, estão chamando atenção daqueles que procuram o esclarecimento.
A doutrina espírita nos permite entender uma série de fatores e circunstâncias que envolvem essa questão.
Por que os cientistas e os homens de reconhecido saber têm, em sua maioria, a característica de negar a religião e sobretudo a Deus? O que leva pessoas tão racionais, brilhantes em sua contribuição a tantos ramos da ciência, a ignorar tudo o que se faz no campo das conquistas da alma?
O Espiritismo, ao abordar a trilogia Ciência, Filosofia e Religião para explicar sua postura ante os princípios que regem o caminho humano para a realização e felicidade, exemplifica a necessidade de se estabelecer elos entre esses três ramos da conquista humana.
O cientista, ao descrever a maravilhosa lógica, a perfeita sincronia que existe nos mais simples elementos naturais, até os mais complexos, sente-se instigado a pensar que tudo aquilo não pode ser obra de uma organização acéfala, incidental, puramente randômica... A repetição determinada do encadeamento das bases nitrogenadas no DNA, formando a seqüência da continuidade material do ser humano, implica em um acaso natural?
O pensamento cartesiano inibe a análise científica, porque o homem acadêmico exige uma comprovação de fatos através de sua percepção rígida, baseada naquilo que se aceita como real e palpável, mas a própria ciência é fruto da ânsia humana de melhorar, de progredir, de partir em busca do desconhecido, do ignorado, e contraditoriamente, se insere no mesmo dogmatismo que rejeita nas hostes religiosas...
Li, recentemente, que um respeitado pesquisador brasileiro, no campo da genética, desenvolve estudos onde procura demonstrar que existe um forte componente genético nas características mais básicas da personalidade, como a raiva, a ansiedade e até para o sentimento religioso... E, no mesmo artigo, o pesquisador reconhece que nele não existe a manifestação genética desse sentimento religioso!
Também, agitando os meios científicos mundiais, está a descoberta de um crânio na África, anunciado como o mais antigo ancestral humano, com idade entre 6 e 7 milhões de anos. Tal descoberta, segundo a comunidade de antropólogos, pode por em cheque a idéia de que existe um "elo perdido" na evolução humana.
A raiva, a ansiedade, o sentimento religioso fazem parte do que se chama de sentimentos abstratos, intangíveis, mas presentes e atuantes. Raiva e ansiedade são parâmetros de comportamentos que ainda requerem muito crescimento espiritual para serem aplainados e reduzidos. No entanto, os pesquisadores entendem que tais características são como a pressão arterial têm tratamento, mas não têm cura...
Allan Kardec, em sua obra A Gênese, de 1868, nos capítulos X e XI, que tratam da Gênese Orgânica e da Gênese Espiritual, oferecia uma explicação racional para essa questão da formação do homem no planeta Terra. O Codificador deixou a questão colocada à luz do que se conhecia à época em que o livro foi escrito, mas não deixou a questão fechada, pelo contrário, a maneira racional e inspirada com que o assunto recebeu abordagem serve como se fora um molde onde cada nova descoberta se encaixa, confirmando e enriquecendo a metodologia do Mestre de Lyon.
O elo perdido é uma idéia que surgiu porque a ciência antropológica não pode aceitar aquilo que não está registrado nos fósseis que, em última análise, são conseqüência e não causa dos elaborados experimentos que a espiritualidade realizou para adequar o ser humano ao planeta escolhido para sua evolução espiritual... Nem por isso se pode rejeitar o trabalho que a antropologia nos oferece. É através dele que a humanidade continuará seu caminho até o ponto de convergência, no futuro, onde não haverá mais como refutar a evidência maior que é Deus.
Da mesma forma, quando a Genética procura demonstrar rastros de personalidade nos componentes genéticos do ser humano, ela está utilizando suas últimas conquistas para explicar fatos que não consegue racionalizar, mas está também, contribuindo para o entendimento de doenças e sua cura.
As doenças e sua cura, o entendimento do processo reprodutivo e suas leis de transmissão de caracteres são objeto maior da conquista do cientista que se debruça por anos na pesquisa; sem sentir, ele é um instrumento da Vontade Maior, que faz dele um valoroso agente do crescimento humano.
Mas, no momento em que a ciência entende que pode explicar os fenômenos da alma, através do processo de transmissão genética, perde-se no paroxismo de sua cegueira, de sua negação daquele a quem serve, sem perceber.
O alcoolismo, a ansiedade, a raiva, o amor, a capacidade de odiar ou de amar, de perdoar, são expressões do espírito, são paradigmas de estados da alma e indicadores do seu nível de evolução, se estivessem ligados a itens celulares como os cromossomas, não poderiam ser objeto das mutações evolutivas em busca de melhores características de comportamento.
Mas já existem manifestações concretas de físicos, biólogos, médicos, enfim, representantes do pensamento científico moderno, que aceitam discutir a dicotomia alma/corpo e, por extensão, a presença de um Criador a controlar a harmonia universal.
Uma corrente de cientistas, chamada Criacionistas, ao perceber a ligação entre os inúmeros elementos da natureza, e entender que não pode haver acaso no encadeamento sistêmico das bases do DNA e na germinação de uma planta, que o milagre da vida é uma expressão muito maior do que a compreensão atual do homem, está buscando comprovar que a origem do Universo, dos seres vivos e sua evolução estão subordinados a uma vontade superior. Certamente, por esse caminho, aparadas as arestas de seus equívocos conceituais, essa corrente contribuirá para o crescimento do pensamento humano.
Ciência e Religião, opostos naturais por séculos, já iniciam o movimento de procura por suas pontas, de forma que ainda venham a formar um só corpo de conquistas e, pela vontade do Pai de amor, espiritualmente convencidos de sua importância como cidadãos de um Universo sem fronteiras, partirem para a missão de fomentarem o progresso em outros orbes, livres do dogmatismo da ciência e da religião, atributo de uma humanidade ainda imersa em suas expiações e provas.
Assaruhy Franco de Moraes
|