Crônica na rede
A Pátria do Evangelho
“Helil – disse a voz suave e meiga do Mestre
-meu coração se enche de profunda amargura,
vendo a incompreensão dos homens, no que se refere às lições do meu Evangelho.”
Humberto de Campos (Espírito) em Brasil, Coração
do Mundo, Pátria do Evangelho.
O lamento do Mestre referia-se ao quadro doloroso que o planeta refletia, no final do século XIV.
Ainda havia no ar o impacto das atrocidades cometidas durante as Cruzadas, as sombras da Idade Média escondiam paixões e interesses, erroneamente chamados de cristãos, mas que melhor se identificavam com a pobreza espiritual que dominava os líderes egoístas da humanidade terrena.
O Evangelho servia a tantos interesses menores, era tão manipulado, que Jesus expressou a sua preocupação de uma maneira tão triste, que comoveu a todos que o acompanhavam em sua visita à Terra, segundo nos relata o cronista Humberto de Campos, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier na obra já citada, e particularmente Helil comoveu-se, prontamente sugerindo ao Nazareno que olhasse para as terras de além oceano, onde poderiam prosperar os Espíritos que não estivessem comprometidos com as carcomidas estruturas européias.
Naquele momento, o milagre da vontade transformou-se em realidade, tendo sido iniciados todos os procedimentos, na dimensão espiritual, para que os fatos políticos, a ordem social nos países europeus, os conhecimentos técnicos, a vontade, o espírito de aventura, tudo obedecesse ao impulso do Divino Companheiro e permitisse que se concretizasse a grande aventura para o oeste, seguindo a direção do caminho evolutivo dos povos da Terra.
Em verdade, o Brasil não foi descoberto por acaso.
Nem poderia ser, pois um dos princípios básicos que o Espiritismo nos ensina, é de que nada acontece por acaso... O projeto de Helil é prova disso, pois definiu que a Pátria do Evangelho não seria a continuação de civilizações culturalmente adiantadas e moralmente carentes, de líderes pseudoliberais e aprendizes da fraternidade e do amor. Na busca do equilíbrio, o povo brasileiro formou-se a partir do encontro de múltiplas raças, vindas de todo o mundo, tangidas pelo chamado da espiritualidade, gerando a ‘raça brasileira', nova, limpa, herdando a cultura européia, mas criando, do melhor de suas raízes, uma alma nova, apta a entender os valores do espírito, essenciais para o desafio de se construir um mundo melhor.
O projeto de Helil ainda está em curso, temos dificuldades e pensamos que fomos esquecidos quando nos vemos envolvidos com tantos problemas sociais, com a pobreza, com a corrupção, com a falta de nobreza, com tantos interesses menores, com o egoísmo, a violência... Podemos achar que o coração do mundo parou de pulsar e que a pátria não é mais do Evangelho !
Mas não é assim. O momento brasileiro tem sido de ajuste, nossa maioria é pacifica e procura sempre melhorar, é amiga, gentil e fraterna; pobreza e riqueza são etapas evolutivas, segundo nos ensina Kardec.
Somos tolerantes, somos uma raça nova, solidária e Deus está em nossos corações, embora com várias bandeiras.
Olhemos bem para dentro deste país: o coração não está pulsando? A pátria não é cristã e gentil?
Esta será sempre a pátria do Evangelho; assim já era desde o final do século XIV e cada vez mais o será. Preciso se faz apenas que controlemos nossa ansiedade e confiemos no futuro. Hoje somos melhores que há 200 anos e só temos 500 anos de história, ainda nos preparamos para outros tantos 500. Confiemos no Pai.
Assaruhy Franco de Moraes
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