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A CURIOSIDADE PASSOU
“Já se disse, e não faz mal repetir,
que certas pessoas são capazes de caminhar até
muitos quilômetros à procura de um médium,
com chuva ou sol quente, seja lá onde for. Mas não
têm paciência nem interesse de ficar ao menos
meia hora no recinto de um centro para ouvir uma palestra.,
uma elucidação doutrinária.¨
Deolindo Amorim
O mestre Allan Kardec deixou grafado em O Livro dos Espíritos
que o período da curiosidade, já naquela oportunidade,
havia passado. Isto porque, incumbido da nobre missão
de codificar a Doutrina, havia ele, na primeira e básica
obra, revelado, por orientação dos Espíritos
do Senhor, o verdadeiro objetivo do Espiritismo.
Não de pode esquecer que antes de Allan Kardec, a
mediunidade, o médium e, conseqüentemente o
fenômeno mediúnico já existiam. Se perde
no tempo as manifestações de Espíritos,
com isso, a curiosidade do homem em ouvir, falar e se entreter
com eles.
Essa curiosidade, esse interesse é que Allan Kardec
se referiu, pois, pelas próprias informações
dos Espíritos Superiores, a finalidade do Espiritismo
é bem outra para a humanidade.
Não é com isso que a importância com
a mediunidade e o cuidado que se deva ter com ela deixou
de existir.
As reuniões mediúnicas são importantes,
quando sérias, mas, atualmente, devem ser vistas
por outro ângulo e com outra responsabilidade .
Na realidade, após esse período de curiosidade
por que passamos quando chegamos ao Espiritismo, vem a necessidade
primordial de mudança interior. Esse objetivo é
alcançado com estudo sério e com assimilação
da Doutrina. Muitos, por comodismo, permanecem presos, por
anos e anos, às vezes a vida inteira, aos guias,
aos médiuns e aos fenômenos. Melhorar seus
conceitos de vida, isso não. Continuam os mesmos
e com os mesmos sentimentos e normas de comportamentos.
É uma constante preocupação, em várias
comunidades, para os organizadores de eventos de caráter
geral no movimento espírita, quando marcam palestras,
conferências ou programas de estudos. A freqüência
é sempre pequena porque, de um modo geral, os espíritas
não se habituaram a ouvir instruções
e orientações de encarnados, por mais conhecimento
que possuam.
No entanto, por mais rudimentar seja a cultura doutrinária
do médium e do espírito, falou, está
falado . Pode ser o maior absurdo, mas com o raciocínio
modelado em um costume antigo, não tem, o acomodado,
o que e como contestar. Aliás, em muitos casos, contestar
é uma heresia.
Vai mais além. O escritor Deolindo Amorim, dizendo
com toda a sinceridade de seu saber doutrinário que
existem centros que fazem questão de dar preferência
aos trabalhos mediúnicos, como se fossem eles a razão
de ser da sua existência, enquanto a Doutrina fica
relegada a segundo plano e às vezes até nem
é comentada nas reuniões!...
Infelizmente ainda acontecem estas coisas. Então,
os freqüentadores assíduos, se habituam à
rotina e não entendem o Espiritismo a não
ser pela via mediúnica. Ora, se é assim que
entendem o Espiritismo, evidentemente não podem interessar-se
pelas explanações doutrinárias. O tempo
passa, mas, lamentavelmente, isso ainda acontece, e muito.
O médium passa a ser o oráculo. Este e o Espírito
são infalíveis. E muitos, quase todos, aproveitando-se
da ignorância e da crendice dos incautos, fazem o
que querem e o que bem entendem. Chega a existir tamanha
dependência que até decisões tomadas
em reuniões administrativas da diretoria executiva
do centro, precisam ser levadas à análise
do Guia Espiritual da Casa, que está sempre com a
última palavra. É preciso e é chegado
o momento, de se conhecer a Doutrina Espírita pelo
que ela realmente representa para a humanidade. A curiosidade
e o comodismo já passaram. A situação,
atualmente, exige outros e maiores esforços.
A parte mediúnica não pode ser desprezada
em um Centro Espírita. Isto é certo. No entanto,
é preciso criar nos freqüentadores, desde cedo,
o hábito do estudo e da leitura doutrinária,
bem como a necessidade de vivenciar os ensinamentos.
O equilíbrio é a base de tudo.
Sergio Lourenço ( Pres. Prudente – SP)
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