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Nosso Lar – o livro espírita do século XX

Iracema Dias Coelho – Bauru (SP)   

Vem crescendo a cada dia o interesse da maioria das pessoas por tudo que se relaciona com a chamada "vida depois da morte". A prova disso é o surgimento freqüente na mídia desta temática, através dos mais variados veículos: filmes, peças teatrais, livros, além de reportagens de TV e artigos de revistas.

Fora do contexto religioso, adeptos de todos os credos e até ateus querem saber mais sobre o post mortem. Como são e onde se situam as cidades espirituais? Como é a arquitetura, a paisagem, o sistema de transporte, a constituição político-administrativa das cidades do além ? Como vivem seus habitantes? Como se vestem, se alimentam , trabalham, estudam e se divertem os espíritos ?

Como se vê, passamos da fase do crer para a do conhecer. Já não se discute mais se existe vida depois da morte, mas como ela é. Mas não foi sempre assim.

Na década de quarenta, na cidadezinha de Pedro Leopoldo, interior das Minas Gerais, o então jovem médium Francisco Cândido Xavier, uma dia percebeu, através de suas incomparáveis faculdades mediúnicas , um Espírito vestido de médico, que lhe disse ser do seu interesse escrever alguns livros através dele.

O Espírito, que pediu para ser chamado de André Luiz, foi mais tarde considerado uma espécie de "repórter" do plano espiritual, tal foi a gama de informações trazidas por ele através de uma série de livros.

O primeiro deles, Nosso Lar, causou sensação quando da sua publicação em 1944 e mesmo no meio espírita houve quem acreditasse tratar-se de obra de ficção. O próprio médium foi levado em desdobramento até a colônia espiritual para se familiarizar com os temas que vinha recebendo mediunicamente, e conta-se que a FEB retardou a publicação do mesmo, por algum tempo, até ter certeza que não tinha discrepâncias doutrinárias.

E tudo isso por quê?

Porque o mundo espiritual, vizinho ao nosso, sob muitos aspectos, é absurdamente igual ao plano físico. E isso explica-se com um dos axiomas de nossa "ciência": "A natureza não dá saltos", aliado ao fato de que sendo criação das mentes de homens desencarnados, não poderia mesmo ser diferente do que conhecemos aqui, embora a nossa seja, comparativamente, uma cópia bem mais pobre.

Nosso Lar descortinou para nós um Universo de um lado surpreendente e por outro lado de uma lógica e simplicidade irretorquíveis, desceu a detalhes e informações minuciosas, antes apenas delineadas por Kardec. Se a passagem pelo "grande transe" não transforma homens em santos, também não os isenta de necessidades quase "físicas", como moradia, transporte, alimentação, saúde, lazer, estudo... Daí a necessidade das colônias ou cidades espirituais, das quais Nosso Lar foi a primeira que se tem notícia com tal volume de informações.

De grande impacto também foram as informações acerca do Umbral, região que começa na crosta terrena e se estende até a estratosfera e que, segundo as palavras do autor espiritual, destina-se a "esgotamento de resíduos mentais". Conclui-se daí que tudo que não tem finalidade para a vida superior – mazelas, sentimentos inferiores, viciações e más paixões – precisa ser purgado nas zonas umbralinas, antes de sermos admitidos nos círculos superiores da espiritualidade.

Por tudo isso, e muito mais, Nosso Lar foi considerado por estudiosos e formadores de opinião, merecidamente, o livro espírita do século XX, com uma responsabilidade imensa: continuar iluminando mentes e esclarecendo consciências até o advento do Reino de Deus na Terra.

Transcrição do Jornal O Clarim. Matão, SP. Dezembro de 2000

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