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EU SOU A PORTA
Passos Lírio
“Eu sou a porta (...)” (João, 10:9)
Entre jubilosa e enternecida a Cristandade, muito embora sem ainda compreender a excelsitude de tão magno acontecimento, celebra o Advento do Divino Infante, que veio ao mundo em excepcionais circunstâncias e singulares condições de nascimento.
A fraternidade, pedra angular da nova ordem social que envolverá toda a Família Humana, se intensifica entre as criaturas, crescendo em manifestações cordiais, substancialmente impregnada de expansões afetivas expressas nas permutas sociais de votos e saudações de Feliz Natal!
Diante, pois, dessas belas e tocantes expressões do ‘Dia Grande do Senhor', o nosso coração vibra e a nossa alma, por assim dizer, retorna aos primeiros dias do calendário de nossa era, buscando avivar e reviver a Palavra de Vida Eterna do Celeste Amigo, no desempenho de todo o Seu messianato. E nessa digressão mental, em regressão da memória aos dias de antanho, a tempos idos e vividos, nossa atenção é mais insistentemente solicitada a deter-se naquela expressão registrada pelo Vidente de Patmos: “Eu sou a porta...”
“Eu sou a porta” soa como a mensagem do momento do Imáculo Cordeiro dirigida com ternura às nossas almas frágeis e pequeninas, como que numa súplica amiga, mas também valendo por afirmativa de inigualável expressão espiritual, que é de todo o tempo e para o tempo todo de toda a época e para todas as épocas, de todo o momento e para todos os momentos, tal a extraordinária e singela significação, a exuberância e vitalidade de sua essência divina.
“Eu sou a porta” soa-nos aos ouvidos, penetrando fundo o âmago do nosso ser em gratificantes vibrações de Amor. E a sua sonoridade espiritualizante nos traz vibração profunda, forte, suave, harmoniosa, divinamente irresistível.
Meditemos!... Sem Jesus, realmente, portas há no Mundo de todas as formas e feitios, que nos poderão conduzir a diferentes estados da alma.
É a porta da ociosidade.
É a porta da maledicência.
É a porta do pessimismo.
É a porta do desânimo.
É a porta da ganância.
É a porta do intelectualismo.
É a porta do poder e do mandonismo.
É a porta do comodismo.
É a porta do utilitarismo, dos interesses imediatistas e subalternos.
Entrementes, pressurosa e alentadora, vem em nosso socorro a palavra do Profeta de Patmos, no Apocalipse: “(...) eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, e ninguém a pode fechar (...)” (Apocalipse, 3:8.)
Sentimos então que essa porta que ninguém poderá fechar é o Cristo de Deus. Sim! E é Ele mesmo quem no-lo diz: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e achará pastagens.” (João, 10:9)
Jesus á, pois, assim, no Mundo, a única porta que nos conduzirá à salvação, representada nos atos de nossa vida, através das manifestações espontâneas e conscientes:
da Bondade alentadora,
da Humildade serena,
da Mediunidade evangelizada,
da Perseverança construtiva,
da Vontade elevada,
do Trabalho edificante,
da Palavra enobrecedora,
do Amor sublimado,
da Verdade libertadora,
da Fé raciocinada.
Jesus é a Porta que ninguém fechará. Porta sempre aberta para almas de todos os portes. Quem por ela entrar sairá e encontrará pastagens, querendo significar com isso que portas há que levam o Espírito à prisão, de onde dificilmente ele sairá, preso que fica ao emaranhado fluídico de suas próprias iniqüidades.
* *
Senhor, que desceste do Teu Reino de Luz, deixando as flores do paraíso em busca de ovelhas desgarradas para conduzi-las ao Teu Redil abençoado;
Mestre, que ensinaste a Lei do Amor como vínculo divino que unirá todos os homens;
Rei, que permutaste a glória de Tua esfera luminescente por um singelo berço de palhas e fenos, trazendo aos homens a voz dos anjos, a fim de todos guiar com Tua solicitude ilimitada; permite Jesus que, embora com as nossas deficiências e precariedades, alcancemos a graça de fazer parte da pequena caravana de criaturas de boa vontade que Te desejam render sincero preito de gratidão e reconhecimento; traça em nosso coração o sinal de Tua cruz, símbolo de redenção e, assim, unidos à divina falange das assembléias dos Espíritos redimidos, inebriados dessa felicidade que ainda mal a merecemos, possamos, nós também, Teus pequeninos tutelados, cantar o hino sublime do amor fraterno que nos ensinaste.
Vieste, Jesus, para os que eram e são Teus, mas só muito depois de tantos séculos perdidos, de tanto tempo desperdiçado, é que nos decidimos a receber-Te na intimidade de nossas almas, firmemente dispostos a dar combate sem tréguas aos nossos erros e defeitos, fraquezas e mazelas morais, renovando nossas mentes na concepção grandiosa que a Humildade do Teu Nascimento nos trouxe.
Abatidos em nosso orgulho, porém, felizes com Tua bênção; alarmados com os nossos desvios e desajustamentos, nossos desmandos e desatinos, mas confiantes em Tua misericórdia, queremos, Senhor e Mestre, encetar, de uma vez por todas, agora e sempre, apoiados em Teu Amor, a nossa jornada de regresso à Casa Paterna.
Ajuda-nos e acolhe-nos, Jesus, juntamente com o Teu e nosso Pai.
Recebe-nos, Messias de Deus, nos pórticos radiosos do Teu Solar de Luz, para contigo vivermos, em união perfeita, no regaço do Altíssimo, Criador de todas as coisas e de todos os seres, a quem tributamos o nosso preito de gratidão por nos ter felicitado com a Tua Divina Presença
(Artigo publicado no Reformador. Rio de Janeiro, FEB. Dezembro de 2002. p.362-3)
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