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Ciência do Infinito

Gebaldo José de Souza   

"Anos são precisos para formar-se um médico (...).
Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito ?"


Conta-se que um prisioneiro por vinte anos, passou a pão e água em local sombrio.

Um dia, percebeu que a porta da prisão estivera sempre aberta. Saiu e buscou o sol, o verde, o ar puro e a liberdade! Perdera longo tempo de sua vida por falta de iniciativa!

A breve narrativa ilustra a ignorância de que somos prisioneiros, por absoluta preguiça mental.

E a porta do saber está sempre aberta! Mas nos acomodamos à "prisão", conduta incompatível com a condição de Espíritos eternos, cuja evolução deve ser buscada consciente e prioritariamente.

É mais que tempo de procurarmos o estudo que liberta.

A Doutrina Espírita é meio adequado a essa realização, pois, bem assimilada, suaviza esta jornada de espíritos a caminho da luz, abreviando ou eliminando dores, por favorecer-nos o entendimento das Leis Divinas.

Com muita propriedade, Allan Kardec a intitula Ciência do Infinito , enfatizando a necessidade de seu estudo perseverante e assíduo.

"(...) o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova, quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado."

"Nunca (...) dissemos que esta ciência fosse fácil, nem que se pudesse aprendê-la brincando, o que aliás, não é possível, qualquer que seja a ciência. Jamais teremos repetido bastante que ela demanda estudo assíduo e por vezes muito prolongado."

Afinal, que há de tão importante nessa Doutrina, indagará o leigo, para ser assim valorizada pelos espíritas e por seu Codificador, Allan Kardec, a ponto de dedicar-se, este último, a seu estudo de divulgação, a partir de 1855, nos seus cinqüenta anos até desencarnar, quase aos sessenta e cinco de idade, em 31 de março de 1869?

Responde ele próprio em artigo intitulado "O que ensina o Espiritismo" - do qual transcrevemos excertos -, publicado na Revista Espírita, pouco conhecida e estudada, mesmo entre os que se dizem espíritas. Pois não basta assistir a reuniões públicas e receber passes, para ser verdadeiro espírita. Indispensável estudar a Doutrina e buscar viver seus ensinos, aliando ao estudo o trabalho e a reforma íntima, corrigindo vícios e adquirindo virtudes. Eis suas palavras:

" 1º - (...) dá (...) a prova patente da existência e da imortalidade da alma. (...).

2º - Pela firme crença que desenvolve, exerce ação poderosa sobre o moral do homem; leva-o ao bem, consola-o nas aflições, dá-lhe força e coragem nas provações da vida e o desvia do pensamento do suicídio.

3º - Retifica todas as idéias falsas que se tem sobre o futuro da alma, sobre o céu, o inferno, as penas e as recompensas; destrói radicalmente, pela irresistível lógica dos fatos, os dogmas das penas eternas e dos demônios; numa palavra, descobre-nos a vida futura e no-la mostra racional e conforme a justiça de Deus (...).

4º - Dá a conhecer o que se passa no momento da morte; este fenômeno, até hoje insondável, não mais tem mistérios; as menores particularidades dessa passagem tão temida são hoje conhecidas; ora, como todo mundo morre, tal conhecimento interessa a todo mundo.

5º - Pela lei da pluralidade das existências, abre um novo campo à filosofia; o homem sabe de onde vem, para onde vai; com que objetivo está na Terra. Explica a causa de todas as misérias humanas, de todas as desigualdades sociais; (...)

6º - Pela teoria dos fluidos perispirituais, dá a conhecer o mecanismo das sensações e das percepções da alma; explica os fenômenos da dupla vista, da visão à distância, do sonambulismo, do êxtase, dos sonhos, das visões, das aparições, etc.; abre um novo campo à fisiologia e à patologia.

7º - Provando as relações existentes entre os mundos corporal e espiritual, mostra neste último uma das forças ativas da natureza, um poder inteligente e dá a razão de uma porção de efeitos atribuídos a causas sobrenaturais, e que alimentam a maioria das idéias supersticiosas.

8º - Revelando o fato das obsessões, faz conhecer a causa, até aqui desconhecida, de numerosas afecções, sobre as quais a ciência se havia equivocado, em detrimento dos doentes, e dá os meios de os curar.

9º - Dando-nos a conhecer as verdadeiras condições da prece e seu modo de ação; revelando-nos a influência recíproca dos Espíritos encarnados e desencarnados, ensina-nos o poder do homem sobre os Espíritos imperfeitos para os moralizar e arrancar aos sofrimentos inerentes à sua inferioridade.

10º - Dando a conhecer a magnetização espiritual, que era desconhecida, abre ao magnetismo uma nova via e lhe traz um novo e poderoso elemento de cura."

A moral que adota é a do Evangelho, eis que nenhuma outra existe superior à que trouxe-nos Jesus, o Mestre incomparável! Traduz a Boa Nova em ações.

À vista dessa breve síntese, indagamos: tem razão, ou não, o ilustre Codificador, ao denominá-la de Ciência do Infinito? É realmente sublime roteiro de luz!

Cabe a nós abolirmos comodismo e preguiça mental. É dever estudá-la e compreendê-la, afeiçoando nossas vidas a seus ensinos. E divulgá-la com amor, para que outros se beneficiem de suas luzes, e realizem evolução consciente.

O próprio Codificador orienta-nos sobre a sequência em que deve ser estudada essa Doutrina libertadora: iniciar por O Que é o Espiritismo e prosseguir, nessa ordem: O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno e A Gênese.

É ele ainda que nos afirma que a compreensão da teoria facilitar-nos-á a aceitação dos fatos e o entendimento de quaisquer outros ensinos posteriores. Comecemos, assim, da base, do princípio!

O Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita e inúmeros cursos são ministrados nas Instituições Espíritas, graciosamente, favorecendo seu conhecimento e aprendizado.

(Revista Reformador. Rio de Janeiro, RJ. Março de 2002. Nº 2076. ANO 120 - p.26-27)

Referências Bibliográficas:

1) KARDEC , Allan. O Livro dos Espíritos. 77. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1997, Introdução, item XIII, p. 38-9.

2) ----.op.cit. item VIII, p. 31.

3) ----.op.cit., item XII, p. 38.

4) KARDEC , Allan. Revista Espírita. São Paulo: EDICEL. Ano de 1865 , p.222-3.

5) KARDEC , Allan. O Que é o Espiritismo. 22.. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980, p. 149.

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