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A Nosso Favor

João da Silva Carvalho Neto  

"Ele ama a justiça e a eqüidade; dos efeitos de sua bondade está cheia a terra."
(Salmos 33-5)

Crimes violentos, fome e miséria, injustiça e corrupção vêm criando um clima de angústia e expectação na humanidade dos nossos dias. Mais do que nunca o homem anseia por paz, mesmo que à revelia de uma minoria que se entrega, contumaz, a toda sorte de desenganos. Mas, entre os que se cansaram da dor e do sofrimento, ainda existe pessimismo e descrença com relação ao futuro. Uma onda apocalíptica de previsões derrotistas coloca no caminho da Terra destruição e desespero.

A falta de compreensão das leis divinas gera tal situação onde a fantasia veste a roupagem da realidade. Místicos e religiosos, fanáticos ou desavisados estimulam a descrença em Deus, por apresentarem-No bom e justo, mas capaz de criar um mundo com tantos erros e imperfeições.

Essa situação, aparentemente sem maiores proporções, alcança largos significados na mente dos que se suicidam, dos que abandonam a moral elevada para desregrar-se na volúpia dos prazeres inconseqüentes, dos que por egoísmo não medem o mal que causam aos seus semelhantes. São infelizes desesperados e desinformados quanto à sua destinação superior, regida pela sabedoria do Cristo - Governador Espiritual do Planeta. Afligem-se por não poderem conviver com a incerteza do amanhã, nem suportar dissabor que se abate sobre a fragilidade do seu vazio interior.

Ignoram que o mal que assola a superfície do Orbe é fruto da incúria do próprio homem que protagoniza sua história. Ao longo dos milênios que se perdem em páginas sangrentas de guerras e desvarios, esse homem construiu o presente que ora se mostra como conseqüência de seu passado. Esqueceu-se de Deus, da observância de suas leis, do respeito ao seu semelhante, para chafurdar-se na concretização de ideais personalistas em que o centro das atenções é o interesse mesquinho em si mesmo.
Ignoram que a dor que vergasta sua roupagem carnal deriva das marcas indeléveis com que estigmatizou seu corpo espiritual, nas viciações de toda ordem. No cultivo dos hábitos menos felizes do alcoolismo, do tabagismo, da sensualidade desmedida, fraudou a integridade de sua saúde, irresponsável que foi diante do instrumental que lhe permitia a reencarnação.

Ignoram que a fome e a miséria, campeando injustiça e violência na sociedade hodierna iniciaram-se no excesso das posses a que se submeteram, enquanto tantos mendigavam o sustento humilhante nas mãos de algumas almas caridosas. No afã de satisfazerem-se dos gozos e gosto que a vida lhes oferecia, desprezaram as necessidades mais aflitivas dos que batiam sua porta, exacerbando um egoísmo que fere as mais singelas leis da convivência fraterna.

Mas ignoram acima de tudo, mergulhados na dor que convida à reflexão, que a ordem geral do Universo é o Bem, e que nele o Criador baseia a magnanimidade de suas leis. Por isso, a desesperança sem perspectiva no amanhã. Emmanuel, em oportuna mensagem no livro Fonte Viva, com o título Apascenta, aconselha: "Alimenta a 'boa parte' do teu irmão e segue para diante. A vida converterá o mal em detritos e o Senhor fará o resto."

É preciso que todos saibam nessa hora magna da destinação da Terra, que Deus está a nosso favor. Que não é um ser cruel e vingativo, mas um Pai amoroso e bom que movimenta nossas consciências para o despertar de uma nova era de concórdia e paz.
Quando todos, ou a maioria, aceitarem esta determinação em suas vidas, desaparecerá a revolta e a descrença, para dar lugar à resignação construtiva que opera, no solidarismo, a base do trabalho de regeneração dessa casa planetária abençoada que nos abriga no Universo sem fim.

Somente uma fé raciocinada, calcada nos fundamentos da razão, como a que o Espiritismo nos proporciona, poderá alicerçar forças de sustentação para as horas difíceis que se vão.

A visão mais larga de Deus, de seus atributos, de suas leis, oferece ao espírita a certeza de que ele está conosco, e que o Bem é a ordem inquebrantável na conjuntura de sua obra. O mal "a vida converterá em detritos".
Então saberemos, como disse Paulo, que "se Deus é por nós, quem será contra nós?"(Rom.,8:31)

(Reformador. Rio de Janeiro, RJ. Fevereiro de 1999. Nº 2039. ANO 117 - p.26 3-4)

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