Relembrando Allan Kardec

Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo

(...) A natureza dos trabalhos espíritas exige calma e recolhimento. Ora, não há recolhimento possível se somos distraídos pelas discussões e pela expressão de sentimentos malévolos. Se houver fraternidade não haverá sentimentos de malquerença; mas não pode haver fraternidade com egoístas, com ambiciosos e orgulhosos. Com orgulhosos, que se escandalizam e se melindram por tudo; com ambiciosos, que se decepcionam quando não têm a supremacia, e com egoístas que só pensam em si mesmos, a cizânia não tardará a ser introduzida e, com ela, a dissolução. É o que gostariam os inimigos e é o que tentarão fazer. Se um grupo quiser estar em condições de ordem, de tranquilidade, de estabilidade, faz-se mister que nele reine um sentimento fraternal. Todo grupo que se formar sem ter por base a caridade efetiva, não terá vitalidade, ao passo que os que se fundarem segundo o verdadeiro espírito da doutrina olhar-se-ão como membros de uma mesma família que, embora não podendo viver sob o mesmo teto, moram em lugares diversos. Entre eles a rivalidade seria uma insensatez; não poderia existir onde reina a verdadeira caridade, porquanto esta não pode ser entendida de duas maneiras. Assim, reconhecereis o verdadeiro espírita pela prática da caridade em pensamentos, palavras e ações; e vos digo que aquele que em sua alma nutrir sentimentos de animosidade, de rancor, de ódio, de inveja ou de ciúme, mente a si mesmo se aspira a compreender e a praticar o Espiritismo.


O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particulares, como destroem os povos e a sociedade em geral. Lede a História e vereis que os povos sucumbem sob a opressão desses dois mortais inimigos da felicidade dos homens. Quando se apoiarem nas bases da caridade, serão indissolúveis, porque estarão em paz entre si e com eles próprios, cada um respeitando os direitos e os bens dos vizinhos. Eis a era nova predita, da qual o Espiritismo é o precursor, e para a qual todo espírita deve trabalhar, cada um em sua esfera de atividade. É uma tarefa que lhes compete e da qual serão recompensados conforme a maneira por que a tenham realizado, pois Deus saberá distinguir os que, no Espiritismo, não buscaram senão a sua satisfação pessoal, daqueles que ao mesmo tempo trabalharam pela felicidade de seus irmãos. (...)

Allan Kardec    

KARDEC, Allan. “Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos.” Tradução de Evandro Noleto Bezerra. FEB. Fevereiro de 1862. Trecho da “Resposta dirigida aos espíritas lioneses por ocasião do Ano-Novo”.

Disponível para download em: http://www.febnet.org.br/site/livros.php?SecPad=370&Sec=406

 

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