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A MORTE SOCIAL

Lucy Dias Ramos

Entidades religiosas e filantrópicas tentam amenizar os padecimentos de nossos irmãos excluídos que sofrem situações graves de abandono e miséria moral. Entretanto, ainda é muito pouco o interesse e a conscientização da sociedade em torno destes graves problemas sociais, principalmente daqueles que agem com indiferença como se a dor ou um caso análogo não pudesse acontecer com um ente querido ou consigo mesmo.

Não podemos subestimar o quadro atual em que se apresenta o grande número de pessoas de todas as classes sociais, dependentes de drogas. A toxicomania atinge números alarmantes, principalmente entre os adolescentes. A imprensa registra todos os dias a preocupação de pais e professores com o tráfico de drogas nas proximidades das escolas.

Muitos sabem e receiam apontar responsáveis.

Como lutar contra tal calamidade?

O que se pode fazer ante o poder dos que propagam o uso das drogas e se enriquecem destruindo vidas?
Não é tarefa fácil a erradicação da toxicomania. Conscientizar a cada um deste grave mal social e levá-lo a uma postura ética e responsável demanda tempo e nem todos estão preparados para enfrentar este grave problema.

Diz-nos Camilo, através da psicografia de Raul Teixeira:

“Só a educação tem o poder de transformar esta caótica situação, pelo motivo de que se toma impossível manter uma guarda permanente junto a cada lar ou a cada pessoa, sabendo que as drogas, nas suas multifaces, hão penetrado o convívio doméstico, arrebatando aí os familiares desprevenidos ou profundamente perturbados, da percepção ingênua, desatenta ou indiferente daqueles que deveriam ser seus  guardiães.”
Compreendendo que a toxicomania se instala, principalmente, nas almas enfermas, frágeis, atormentadas por conflitos, trazendo de outras vidas o condicionamento que facilita o processo de dependência física e psíquica de alcoólicos e outras drogas, reconhecemos o valor da educação moral e evangelização do ser desde a infância, como profilaxia indispensável.

Antes que a morte social segregue e aniquile o irmão que se perdeu nos labirintos do vício, há de se pensar e buscar o apoio fraterno, médico e psicológico, tentando reerguê-lo e induzi-lo a uma opção de vida mais digna.

É dever de todos nós.

Somente a educação moral levará o indivíduo à conquista do discernimento que resultará na aquisição da consciência ética, liberando-o dos condicionamentos deprimentes e subjugadores, ampliando sua capacidade de distinguir o bem e o mal, ampliando sua visão em torno do que lhe acontece no campo da alma enferma e dando-lhe condições de lutar contra os vícios morais que o prendem como algemas cruéis impedindo-o de ser feliz.

A Doutrina Espírita nos leva a cuidar do ser em seu dualismo — espírito e matéria — reconhecendo na toxicomania a influenciação de mentes desencarnadas, o que requer uma mudança real e profunda dos conteúdos psíquicos do encarnado.

Ensina Joanna de Ângelis (O ser consciente):

“Na psicoterapia espírita, o conhecimento da sobrevivência e do inter-relacionamento entre os seres das duas esferas — física e espiritual — oferece processos liberativos centrados sempre na transformação moral do paciente, sua renovação interior e suas ações edificantes, que facultam o discernimento entre o certo e o errado, propiciando a transferência para o nível superior, no qual se toma inacessível a indução perversa. ’
Com esse pensamento, a Benfeitora mostra-nos que para a libertação dos que são submetidos à ação perniciosa das drogas é indispensável a ajuda psicológica e a terapia médica, aliadas ao desejo sincero do indivíduo de se libertar conscientemente do vício, o que só consegue com penosos esforços e mudanças radicais em seu relacionamento familiar e social.

Reconhecemos ser muito difícil esta luta íntima. Ninguém deverá enfrentá-la sozinho. Além do esforço individual que compete a cada um, o drogado deverá ser tratado, tanto física como espiritualmente, para poder vencer realmente a dependência, e encaminhado, sempre que possível, aos grupos de apoio onde terá outros companheiros incursos no mesmo problema, buscando as mesmas soluções. Ele não se sentirá abandonado e terá mais chances de vencer.

Procurando direcionar nosso pensamento para as melhores soluções no combate às drogas, o benfeitor espiritual Camilo nos aconselha:

“Nenhum processo de toxicomania está dissociado dos processos das almas enfermas. Espíritos sadios não se deixam embair pelas drogas. E somente o esforço pelo autoconhecimento e a busca do Cristo no cerne da alma, no empenho de higienizar a intimidade, é que predisporão cada ser para a anelada libertação, para os formosos tempos de verdadeira liberdade e integração na Vida Cósmica, sem pavores ou inseguranças, com alegria real, no campo de luz que Deus reserva aos que se superam a si mesmos.”

Somente a educação do Espírito libertará o homem dos condicionamentos que o perturbam, mostrando-lhe o sentido real da existência terrena em sua transitoriedade e os objetivos redentores a que estamos todos vinculados no processo da evolução moral.

Recordando sempre que somente sofremos e somos infelizes quando lesamos a lei natural ou divina, busquemos em nossa consciência ética o melhor caminho para a conquista da paz e da felicidade.


Fonte: Reformador. Rio de Janeiro, ano 117, n. 2046, p.275, set. 1999

 

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